Qual deve mais? Quem vende melhor? Compare as finanças de Atlético e Cruzeiro

O Atlético teve lucro. Apesar do prejuízo, o Cruzeiro reduziu gastos. Os balanços financeiros de 2016 já foram divulgados pelos clubes em abril. Mas, afinal, o que significa cada uma das cifras milionárias expostas nos documentos? Comparativamente, como se saíram os principais times mineiros?

Para entender melhor a situação de Atlético e Cruzeiro, o Superesportes produziu ilustrações e análise das finanças dos finalistas do Campeonato Mineiro. As informações foram coletadas em um estudo anual produzido pelo consultor de gestão esportiva Amir Somoggi.

Abaixo, veja quem gastou mais, quem teve as maiores receitas, quem vendeu melhor, quem mais depende da TV e outros parâmetros que ajudam a compreender as finanças dos rivais.

Vendas fazem a diferença

O Atlético arrecadou mais que o Cruzeiro em 2016. A diferença nas cifras se deve, principalmente, aos valores referentes às vendas de jogadores.

 As receitas alvinegras dispararam por conta das transferências de nomes como Giovanni Augusto, Douglas Santos e Jemerson. Enquanto isso, as vendas do Cruzeiro foram mais “modestas”.

Por outro lado, a equipe celeste recebeu mais que o rival nos itens “Direitos de TV” e “Bilheteria”. A diferença de valores, entretanto, não foi tão significativa.

Dependência da TV

Mais uma vez, as receitas advindas da venda dos direitos de transmissão foram fundamentais para reduzir o desequilíbrio financeiro dos clubes. Atlético (que arrecadou R$ 129 milhões) e Cruzeiro (R$ 130,9 milhões) teriam investimentos drasticamente reduzidos em caso de diminuição do ‘dinheiro da TV’.

No estudo, Amir Somoggi fala em “hiper-dependência” dos clubes brasileiros em relação ao valor arrecadado por meio da venda dos direitos de transmissão.

Outros itens, entretanto, também foram importantes para as receitas totais. Do lado alvinegro, “Vendas de Jogadores” (25%) tiveram participação fundamental. O Cruzeiro, por outro lado, teve na “Bilheteria” (13%) a segunda maior fonte de renda em 2016.

2016 foi melhor que 2015?

O Atlético arrecadou mais e rompeu a “barreira” dos R$ 300 milhões em receitas pela primeira vez na história do clube. O Cruzeiro, por outro lado, teve desempenho muito pior que a temporada anterior.

O único item que teve valores reduzidos no Atlético foi o “Outros”, que não é detalhado no balanço. O principal aumento foi no quesito “Venda de Jogadores” (120%). A melhora em “Patrocínio e Publicidade” (94%) também foi representativa.

A situação é oposta no lado celeste. A temporada 2015 foi atípica, e o Cruzeiro teve impressionantes R$ 363,8 milhões em receitas – especialmente por conta da venda de boa parte do elenco bicampeão brasileiro.

Comparativamente, o valor decresceu muito em todos os aspectos em 2016. Apenas o item “Patrocínio e Publicidade” aumentou percentualmente (26%). A maior queda foi justamente no quesito “Venda de Jogadores” (-80%).

Custos do departamento de futebol

Apesar da redução das receitas, o Cruzeiro conseguiu cumprir uma das metas estabelecidas para 2016: diminuir as despesas. A equipe teve um primeiro semestre “enxuto”, e precisou investir em grandes contratações na segunda metade do ano. Muito em função disso, gastou 37% a menos com futebol. O problema, entretanto, é que as receitas também despencaram – o que produziu um resultado pior que o de 2015.

O Atlético, por sua vez, também contratou grandes nomes – em especial Robinho e Fred, ex-jogadores da Seleção Brasileira. Dessa forma, os gastos com futebol passaram de R$ 166,5 milhões em 2015 para R$ 233,6 milhões na temporada passada (aumento de 40%).

O lucro atleticano e a contenção de gastos do Cruzeiro, entretanto, não criaram um cenário “ideal” financeiramente. Isso porque, de acordo com Amir Somoggi, o indicador máximo ideal dos custos do futebol sobre a receita é 70% – valor excedido pela dupla.

Celestes e alvinegros no vermelho


O Atlético voltou a apresentar lucro anual após 23 temporadas. Entretanto, o clube “ultrapassou” o Flamengo e passou a ter a segunda maior dívida do futebol brasileiro – atrás apenas do Botafogo. O valor devido, inclusive, aumentou: passou de R$ 496,5 milhões em 2015 para 518,7 milhões em 2016.

A dívida do Cruzeiro, por sua vez, cresceu em proporções ainda maiores se comparado o mesmo período: de R$ 290 milhões para R$ 363,1 milhões. E o valor tem subido consideravelmente nos últimos seis anos (202%).

As dívidas fiscais de Atlético e Cruzeiro também aumentaram. E, para 2017, Daniel Nepomuceno e Gilvan de Pinho Tavares têm o desafio de equilibrar as finanças para o próximo presidente.

Fonte: Superesportes